EMERGÊNCIA INTERNACIONAL: O sequestro de Nicolás Maduro como agressão imperialista e ataque à soberania latino-americana
Por Otávio Tonon*
No dia 9 de junho de 2024, a América Latina foi confrontada com um dos atos mais graves de agressão política desde o fim formal das ditaduras militares do século XX. O Presidente constitucional da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro Moros, e sua esposa, Cilia Flores, dirigente política e figura histórica da Revolução Bolivariana, foram sequestrados por uma operação de caráter paramilitar, cuja execução revela métodos, interesses e lógicas típicas da ingerência imperialista.
Este episódio não pode ser tratado como um incidente isolado ou um problema interno venezuelano. Trata-se de um ato de guerra híbrida, que combina terrorismo político, violação da soberania estatal e desprezo absoluto pelo Direito Internacional. O sequestro de um chefe de Estado eleito representa uma ruptura civilizatória, na qual a legalidade internacional é substituída pela força bruta e pelo arbítrio geopolítico.
Estamos diante da fase mais extrema de um conflito prolongado, no qual a Venezuela se tornou alvo central por sustentar um projeto soberano, popular e anti-imperialista em uma região historicamente tratada como zona de dominação externa.
1. Raízes Históricas da Resistência Venezuelana
A vitória de Hugo Chávez em 1998 marcou o fim do pacto oligárquico do Puntofijismo, que por décadas subordinou a economia venezuelana aos interesses do capital financeiro internacional. A Revolução Bolivariana inaugurou um processo de refundação do Estado, ancorado na soberania popular, na justiça social e no controle nacional dos recursos estratégicos.
O petróleo deixou de ser um ativo capturado por elites transnacionais e passou a financiar políticas públicas estruturantes através da recuperação do controle da PDVSA. Essa renda permitiu a implementação das Misiones Bolivarianas, responsáveis por avanços históricos em saúde, educação e habitação, consolidando um modelo de democracia participativa profundamente enraizado nas classes populares.
2. União Cívico-Militar e Defesa da Soberania
A Revolução redefiniu o papel das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas, integrando-as ao projeto constitucional. A doutrina da União Cívico-Militarrompeu com o modelo de exércitos tutelados por interesses externos. As Milícias Bolivarianas, compostas por milhões de cidadãos politizados, explicam por que o chavismo sobreviveu a décadas de sabotagens e tentativas de desestabilização.
3. Guerra Econômica, Bloqueio e Saque Internacional
Desde 2014, a Venezuela é alvo de mais de 900 sanções unilaterais, impostas principalmente pelos Estados Unidos. Essas medidas violam a Carta da ONU e buscam asfixiar a economia e o acesso a insumos básicos.
Somado a isso, ocorre o confisco de ativos no exterior — incluindo a CITGO e reservas de ouro no Banco da Inglaterra. Trata-se de um dos maiores roubos estatais do século XXI. O bloqueio não é um erro de política externa, mas uma estratégia deliberada de punição coletiva para provocar um colapso político através do sofrimento social.
4. O Sequestro: Da Guerra Econômica à Violência Direta
O sequestro do Presidente Nicolás Maduro e de Cilia Flores representa uma escalada qualitativa da agressão. Este ato:
• É um terrorismo político executado por estruturas paramilitares;
• Constitui uma violação absoluta da soberania venezuelana;
• Expõe a falência do discurso ocidental sobre democracia;
• Ataca a vontade popular expressa nas urnas.
A Venezuela concentra as maiores reservas de petróleo do planeta e é pilar de instâncias como a ALBA e a CELAC. Um país que utiliza seus recursos para a autonomia política representa um exemplo perigoso para a ordem imperial.
5. Violação do Direito Internacional e Chamado à Ação
Este ataque configura crime de agressão, violação da Carta das Nações Unidas e das Convenções de Viena, que garantem a inviolabilidade de chefes de Estado. A história latino-americana conhece bem essa lógica: é a mesma que levou ao golpe contra Salvador Allende em 1973 e à Operação Condor.
Diante deste crime, o silêncio é cumplicidade. EXIGIMOS:
1. Libertação imediata e incondicional de Nicolás Maduro e Cilia Flores;
2. Fim imediato do bloqueio econômico;
3. Devolução integral dos ativos roubados;
4. Investigação internacional independente sobre o sequestro.
A defesa da Venezuela é a defesa da Pátria Grande e do direito à autodeterminação. A Venezuela não está só.
¡LIBERTAD INMEDIATA A MADURO Y CILIA!
¡FUERA EL IMPERIALISMO DE NUESTRA AMÉRICA!
¡VIVA LA VENEZUELA BOLIVARIANA, SOBERANA Y LIBRE!
• Nota do autor: Otávio Tonon é historiador brasileiro. Entre 2009 e 2010, viveu e circulou por diferentes regiões da Venezuela, como Santa Elena de Uairén,Caracas e Isla Margarita, acompanhando de perto a realidade social e os impactos da Revolução Bolivariana na vida cotidiana do povo.